terça-feira, 19 de setembro de 2017

Bugs da vida






Hoje é comum silenciarmos conversas no Whatsapp, bloquearmos pessoas nas redes sociais e até mesmo as excluírmos. Se uma pessoa não tem a mesma opinião que a sua, isso é motivo pra bloqueá-la ou excluí-la do Facebook. Se não quiser ser notificado com mensagens chatas de grupos de Whatsapp, basta silenciá-los. Vivemos em uma sociedade onde a tolerância e o limite são quase zero. Mas será que essa falta de tolerância e limite resolvem mesmo o que nos incomoda, tira do sério ou o que queremos esquecer nas redes sociais?

É facílimo resolver problemas virtuais, de forma virtual. Por exemplo, se um amigo fez um comentário em um post seu que você discorda, você não ligará pra ele e marcará um encontro pra dizer pessoalmente o que lhe incomoda, mas sim, o excluirá ou, a atitude mais drástica, o bloqueará. Se alguém te marca em posts de desenho animado ou em fotos em que está horrível, é mais fácil mexer em alguns botões  e tirar a pessoa do seu hall de amigos, que chegar e falar o que te tira do sério.

Acontece que essas atitudes nas redes sociais não resolvem o problema de fato. Por exemplo, além das pessoas bloqueadas no Facebook aparecerem em uma lista do seu perfil (Está certo que ela é privada, mas você não a deixa de ver!), elas ainda permanecem em sua memória. É o que chamo de 'bug da vida' - algo que você acredita estar resolvido, mas que na verdade não está e que ainda gera algum sentimento. Se o Facebook não deu conta de esquecer as pessoas que você bloqueou, porque você é capaz disso?! Aliás, te desafio agora a entrar em sua lista de bloqueados e ver o nome das pessoas que estão lá. Perceberá que não se esqueceu de nenhuma delas e até mesmo do motivo de as ter bloqueado.

No caso do Whatsapp, não sei se existe uma lista de contatos bloqueados, mas é fácil identificar quando foi bloqueado ou quando bloqueou alguém. Você descobre isso quando manda uma mensagem e ela não chega até o seu contato, ou quando liga pra ela e a ligação não é finalizada. Outro bug da vida difícil de ser evitado. Afinal até mesmo no Whatsapp você não se esquece de alguém facilmente, nem resolve seus problemas de relacionamento de forma completa.

Engana-se quem pensa que um relacionamento será apagado da memória com uma simples exclusão ou bloqueio. Os rastros e históricos eletrônicos estarão ali e não sumirão, a menos que seja um expert em software. Assim é na vida real: é difícil apagar relacionamentos, experiências, pessoas e momentos de nossa memória. Talvez nem o tempo tenha essa capacidade.

Nossos problemas, tanto em ambiente virtual quanto presencial, são resolvidos com conversa, desabafo e exposição do que incomoda, tira do sério ou machuca. Silenciar, bloquear ou excluir não são eficazes. Outra vez te desafio: desbloqueie todas as pessoas que te incomodam do seu Facebook, Whatsapp ou de qualquer outra rede social. Converse e exponha seus incômodos a elas. Você não precisa de uma atitude tão drástica e que não resolve nada. J-J


Por: Emerson Garcia

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Prevenção ao suicídio pode, sim, ser apoiada com sorriso nas redes sociais e isso não é ficar de brincadeira!

ATENÇÃO: É necessário interpretar o post a seguir para não haver entendimentos errados. E para os depressivos que lerem esse texto, saibam que podem contar com meu sorriso, ombro amigo e ouvidos.


Os "elementos" do post de hoje.



Semana passada (13) publiquei uma foto de perfil temporária no Facebook em apoio à campanha do Setembro amarelo. Bastou isso para uma pessoa me criticar e dizer que "eu estava de brincadeira com o suicídio nas redes sociais", talvez por conta do meu sorriso, gesto ou legenda. Essas são as hipóteses e deve ser por conta delas mesmo a crítica. Acontece que  a prevenção ao suicídio pode, sim, ser apoiada com sorriso nas redes sociais e isso não é ficar de brincadeira e eu vou explicar o porquê no post.

Preciso deixar claro nessa introdução que a única pessoa que será exposta nos comentários da minha postagem será eu, porque acredito que o que o indivíduo disse é mais importante do que ele é íntima e profissionalmente. Desse modo, não irei levar (Em hipótese alguma!) a discussão para aspectos pessoais e/ou profissionais.

Neste post, então, falarei desses assuntos: a minha foto de perfil temporária; a crítica que recebi, as compreensões; e também que a prevenção ao suicídio pode ser apoiado com um sorriso no rosto.  



A foto temporária 'polêmica' de perfil



Essa foi a foto que postei em apoio ao Setembro amarelo. Um sorriso largo no rosto e o meu dedo apontando para a minha garganta. Ela não é uma imagem recente. Creio que seja de 2015 - inclusive a coloquei no post Setembro amarelo: ilumine o mundo de boas ideias ano passado. Quem lembra? Irei utilizar a própria explicação passada para a foto:

"Eu, por exemplo, atualizei a minha foto de perfil com uma imagem pra apoiar o evento - camisa amarela e apontando para a minha garganta, 'por que falar é a melhor opção'." 


Foi por conta do slogan Por que falar é a melhor opção que eu apontei para a minha garganta (A voz não sai da boca, mas das cordas vocais!). O slogan fora criado juntamente com o início da campanha, em 2014, com o objetivo de incitar o desabafo das pessoas depressivas, e o estar aberto a ouvir. Veja o que O olho da história falou sobre o Setembro amarelo:

"Assim surgiu o Setembro Amarelo, uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção."


O motivo de ter sorrido na imagem não foi para ficar fotogênico, muito menos para menosprezar o suicídio, mas para mostrar às pessoas depressivas que elas podem contar com a minha alegria e o meu sorriso. 

Por último, escrever "Você não quer morrer! Fale comigo pelas redes sociais ou pelo Whatsapp", não foi com o intuito de diminuir a pessoa depressiva ou de "ficar de brincadeira nas redes sociais" com o suicídio, mas de mostrar que, na verdade, o que elas querem é acabar com o sofrimento e que elas podem contar comigo, mesmo que eu não seja um psicólogo formado, até porque as pessoas saem do fundo poço, em primeiro lugar com a ajuda de um psicólogo e depois com a de amigos, familiares, etc

Mas nem todo mundo entendeu isso...



Crítica




Procurei interpretar o comentário da pessoa minuciosamente para compreender, realmente, o que ela quis dizer e não intercorrer em erros interpretativos. Na minha resposta não procurei ofender o indivíduo, muito menos fugir do que ele havia dito no comentário. Irei transcrever a crítica:

"Eu entendo que esse é um assunto muito sério para ficar de brincadeira nas redes sociais."


Em uma análise minuciosa, percebi que o autor do comentário se referia a três aspectos da expressão "ficar de brincadeira" e eu irei comentar cada um deles. Vamos lá?


1- A "brincadeira" de ajudar as pessoas nas redes sociais por meio do diálogo: Uma das primeiras interpretações que veio à minha mente foi esta, por conta do que escrevi na legenda da foto. Entendi que um leigo não pode ouvir uma pessoa depressiva e que esta é uma tarefa somente para psicólogos. Sim! Profissionalmente essa alçada é da psicologia, mas pessoas próximas ao depressivo o ajudam ao escutá-lo, compreendê-lo e fazer com que se sinta importante. 


2- O "menosprezo" ao suicídio: Essa hipótese pode ser dada ao que falei no início da legenda (Você não quer morrer!). Para essa pessoa, isso soou como menosprezo ao suicídio e à dor, mas eu mostrei justamente o contrário no tópico anterior.


3- O tom 'tá de brinks né?' da foto: Para a pessoa eu não poderia sorrir, nem apontar para a minha garganta ao falar de "um assunto muito sério". O que é uma ideia totalmente errada.


É interessante alguém demonstrar sua opinião começando-a com a expressão "EU ENTENDO", pra logo depois vir com críticas severas e infundadas de uma má interpretação das coisas. A minha resposta foi a seguinte (com grifos):

"Não há brincadeira em quem está pronto para ouvir, oferecer um sorriso e um ombro amigo."


Foi com esse sentido que postei a foto, sem rodeios, filtros ou segundas intenções. Fiquei em paz porque tiveram pessoas que compreenderam realmente a foto...



Compreensões





A foto temporária de perfil obteve 19 CURTIDAS e 2 COMENTÁRIOS compreensivos (até a composição desse post). Irei transcrevê-los agora:

"Isso mesmo! Dizer que se importa é o primeiro passo! Ouvir é o caminho para descobrir, juntos, uma saída!"


"Obrigada, amigo!!!"



Comentários que interpretaram corretamente o que havia escrito e apresentado visualmente. Comentários de pessoas que perceberam que eu não "fiquei de brincadeira com um assunto sério". Pelo contrário, FUI SÉRIO, SINCERO E AMIGO!





Amizade e estar 'a todos os ouvidos' que podem ser vistos nessa resposta:

"Por nada, amiga. Estou aqui para o que precisar."



Prevenção ao suicídio e o sorriso no rosto


De onde saiu a ideia que não se pode ser lúdico, sorrir ou demonstrar alegria ao apoiar a prevenção ao suicídio? Aliás, a série 13 reasons why foi duramente criticada por retratá-lo de forma teatral e romântica. Tal retrato não significa que a produção deixou de ser séria ou de alertar sobre um problema sério. Por outro lado, um psicólogo e um fotógrafo criar um ensaio artístico e teatral sobre depressão e doenças mentais e emocionais, não quer dizer que eles "ficaram de brincadeira" com o tema. 

O Setembro amarelo não é, necessariamente, somente aderido por psicólogos e entidades de psicologia. É certo que a campanha foi criada por esses profissionais, mas qualquer pessoa leiga, comum ou famosa pode abraçar e apoiar a causa, de forma séria, sincera e importante. É claro que ninguém ocupará o espaço de um profissional e meterá o bedelho em questões técnicas, científicas e profissionais. Há um certo limite que deve ser obedecido. Ou seja, há diferença entre receber um sorriso e um ombro amigo de alguém e receber as instruções profissionais de um psicólogo. Mistério nisso não há!

A abordagem da prevenção ao suicídio - seja na mídia, redes sociais ou qualquer outro meio - é o grande cerne da questão. Saber como tratá-la sem incitar a prática é um desafio. Como falar do tema? Com a cara séria? Sem mostrar cenas chocantes? Sorrindo? Não há uma forma única, mas sim a conveniente e que procura informar e alertar. E isso pode ser de maneira lúdica, entretida e divertida. Por que não?

Fazendo pesquisas na internet me surpreendi como o tema foi retratado (Não só por psicólogos ou entidades de psicologia) e já adianto: com sorrisos, dedinhos felizes, música e flores... FLORES AMARELAS.

A primeira propaganda que chamou a minha atenção foi a da Polícia Federal divulgada no dia 01 de setembro desse ano no Twitter que traz duas amigas se abraçando e - adivinhem só? - sorrindo! Sorrindo não, GARGALHANDO!


"Falar é a melhor solução. Ouvir é a melhor ajuda". Quer slogan mais forte que esse?




A segunda propaganda que me surpreendeu foi da Cruz Azul: Saúde e Educação. Nela tem muitos aspectos lúdicos e divertidos, como a composição do design e os dedinhos com rostinhos felizes. Veja se não é a coisa mais fofa do mundo:






Por último, a cantora Ana Nóbrega espalhou alegria e descontração no Instagram com posts de apoio ao Setembro amarelo em que estava sorrindo, com flores amarelas e também cantando um trecho de uma bela canção. 



Eu amo a Bíblia porque ela conta todo tipo de história: as mais lindas, e as mais trágicas também. Por que? Porque é um livro sobre a nossa vida, a passagem do ser humano nesta Terra, e este enfrenta aqui dias bons e dias maus. Sabe o personagem #Jó ? Ah, se você nunca leu, nao sabe o que está perdendo! A Bíblia diz que ele tinha tudo do bom e do melhor. Tinha esposa, filhos, bens, muitas riquezas, e era um homem temente ao Senhor. Mas... Mas um dia ele perdeu tudo. Tudoooooo! E ainda ficou muito doente! Coisa pouca, não! E começou a desejar a morte, bem como amaldiçoar o dia em que nasceu. Também, pudera! Era muito sofrimento. Só que #Jo não sabia que tudo estava no controle do Senhor e que em meio a toda aquela angústia terrível, ele conheceria a Deus como nunca antes. É tanta lágrima que embaça o aprendizado, não é? Agora, veja só: o livro de #Jo termina dizendo que o final de sua vida foi melhor que o começo. #Jo teve tudo, tudo, tudo outra vez, só que uma condição: muito melhor do que antes! Já pensou se ele tivesse desistido? Já pensou se tivesse morrido? Ele não viveria tudo que já estava preparado. Os seus melhores dias lhe aguardavam! Uhuuulllll! Não quero minimizar o seu sofrimento, mas se você está com pensamentos de morte, depressão, pânico, achando que é o fim, eu digo que NÃO É! Você nem imagina o que Deus tem preparado se O buscar de todo coração. Eu sei que #vocenaoquermorrer ; #vocesoestacansado .💛 #setembroamarelo #Jesus #VidaAbundante #EuOroPorVoce #ProcureAjuda #TrocoAsRosasVermelhas #PelasAmarelas
Uma publicação compartilhada por Ana Nóbrega (@ananobrega) em

Confesso que o sorriso da Ana foi mais bonito e acolhedor que o meu, mas tá valendo. Destaco um trecho do que ela disse na legenda:

"Eu sei que #vocenaoquermorrer ; #vocesoestacansado .💛 #setembroamarelo #Jesus #VidaAbundante #EuOroPorVoce #ProcureAjuda #TrocoAsRosasVermelhas #PelasAmarelas"




"“Eu disse: “Misericórdia, Senhor! Cura-me, pois pequei contra ti”.” ‭‭Salmos‬ ‭41:4‬ _____ Eu convivi com uma pessoa que sofria de depressão. Ela frequentava a igreja, sorria para todos mas quem a conhecia mais a fundo, sabia as batalhas emocionais que ela enfrentava. Eu me perguntava: "Por que a cura do Senhor não penetra o seu ser? O que há de errado?" E outras indagações me perturbavam a respeito daquela pessoa. Eu a amava e queria vê-la bem! Um dia fiquei sabendo que, no passado, ela havia (sem mais detalhes) tomado o marido da sua própria irmã. Antes de julgá-la, olhe para as suas misérias e debilidades. O fato é que esse acontecimento a empurrou para um poço profundo e quase eterno da perturbação emocional. Ela ficou com o amor de sua vida, mas os demais amores ( sua família, amigos da família, e o amor para consigo mesma) foram estremecidos. São episódios como esses, ou outros quaisquer, que desencadeiam processos depressivos, angustiantes, que nos levam a desejar a morte. Depois do frisson de conseguir o que tanto quer, o ser humano começa a ponderar tudo o que fez, cai nas prisões da culpa e vergonha, e pensa que não há nada a ser feito. Isto é MENTIRA! "Há tempo de matar, e há tempo de CURAR" As pessoas que você ofendeu, magoou, feriu, estão esperando um pedido de perdão, um abraço, uma mensagem, um retorno seu. E nisto está a CHAVE DA SUA CURA! Você precisa crer no poder que há por detrás de uma atitude como esta. Foi por isso que Jesus se entregou: para pedir perdão ao Pai em nosso lugar. Ele, que não tinha pecado, assumiu todos os nossos erros e diante do Pai clamou e clama por nós: "Perdão!" Precioso Ministério da Reconciliação! Ele sabe como é bom "ficar de bem" com o Pai e com o nosso próximo PARA QUE TENHAMOS PAZ. Você quer paz? Pense bem e aja! Reconcilie-se com Deus e com seus irmãos. Os próximos dias podem ser sobrenaturais! Amo vcs! #setembroamarelo #trocoasfloresvermelhas #pelasamarelas #vocenaoquermorrer #soestacansado #Jesus
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Este post também foi muito legal, mas nele Ana não está sorrindo.







Neste a artista colocou um trecho do clipe da música Isso é que é viver em apoio às pessoas depressivas, disponível no Você Adora. Ana canta com entusiasmo e alegria, assim como a canção suscita. Vamos a um trecho da legenda (com grifos):

"Setembro já chegou e com ele, a conscientização contra o suicídio. 💛🌻 [...] A caminhada, muitas vezes, não é fácil, não é mesmo? Enfrentamos muitas dificuldades, momentos de tristezas e aflições. Mas enquanto os nossos olhos estiverem nas circunstâncias e não em Jesus, fracassaremos. Que os nossos olhos estejam sempre na cruz! Te convido a correr no canal do Você Adora e conferir o vídeo “Isso É Que É Viver”. #setembroamarelo #issoequeeviver"


Já que ela nos convidou, então vamos ver o clipe né?!








Sorria!


Não há problema algum em sorrir e demonstrar alegria ao apoiar a prevenção ao suicídio. Sorrir nessa ocasião tem um motivo: o de contagiar o outro com bons sentimentos. E quem, nessa situação, recusaria um sorriso, abraço ou ombro amigo?! Aliás, agir assim pode ajudar, e muito, a pessoa depressiva. Até mais do que falar e expressar-se verbalmente. Demonstrar carinho e dizer pra ela "Eu posso te ouvir, posso ser seu ombro amigo. Desabafe comigo" tem efeitos inimagináveis e inenarráveis.

É claro que o depressivo deve procurar ajuda especializada de um psicólogo, do Centro de Valorização à Vida (CVV) ou pode ligar no 141 , mas em conjunto com isso pode contar com amigos e familiares.

E pra finalizar, quero que os programadores do Facebook coloquem o mais rápido possível a reação Aff para curtir comentários como esse que recebi. 'Né non'? J-J







Por: Emerson Garcia

sábado, 16 de setembro de 2017

Rádio Bagaralho: Programa "Entrevista musical" #3




Olá ouvintes da Rádio Bagaralho FM (Rádio Bagaralho, a rádio do... povo). Aqui quem fala é o locutor Arthur Claro, aquele que é igual porém diferente. Hoje no programa Entrevista musical entrevistarei a Stephanie Ferreira, uma das colaboradoras do Jovem Jornalista. Foi ela mesma que se propôs a ser entrevistada. Espero que gostem dessa entrevista como gostei de fazer.


Arthur Claro: Quando você tinha 7 anos, o que você ouvia?
Stephanie Ferreira: Eu gostava de ouvir 'Lua de Cristal' da Xuxa e 'Brincar de ser feliz' da dupla Chitãozinho & Xororó.






Arthur Claro: Você já fez aula de ballet?
Stephanie Ferreira: Praticamente não, mas já cheguei a fazer algumas aulas para uma apresentação na escola, mas não de ballet.






Arthur Claro: Você tem vergonha de alguma música que gostava e hoje em dia não gosta mais?
Stephanie Ferreira: Acho que todo mundo já teve uma vergonha destas. No meu caso são todas do É o Tchan.






Arthur Claro: Quais os estilos musicais que você gosta?
Stephanie Ferreira: Gosto de Rock, Pop e MPB.






Arthur Claro: Em qual momento você mais escuta música?
Stephanie Ferreira: Nos trajetos de casa para o trabalho e vice-versa.






Arthur Claro: Você canta junto com a música?
Stephanie Ferreira: Às vezes sim, somente quando estou em casa e ainda danço. Acho que a música faz isso de querer cantar e dançar.






Arthur Claro: Que bandas de rock você gosta?
Stephanie Ferreira: Guns n' Roses, Metallica e AC/DC.






Arthur Claro: E o que você gosta de ouvir de Pop e MPB?
Stephanie Ferreira: Gosto de Ed Sheeran, Adele, Ana Carolina e Maria Gadú.






Arthur Claro: Você conhece a história do clube dos 27?
Stephanie Ferreira: Você se refere ao grupo dos músicos que morreram aos 27 anos? Como Kurt Cobain, Janis Joplin e Amy Winehouse? Se for sobre este clube, conheço.






Arthur Claro: Tem algum músico que você gostaria de conhecer pessoalmente? Pode ser vivo ou morto.
Stephanie Ferreira: Tem sim, porém ele está bem vivo. Queria muito conhecer o James Hetfield, vocalista do Metallica, porém gostaria mesmo era de ir em um show do Metallica. Também gostaria muito de conhecer todos os integrantes da banda Rosa de Saron.






Arthur Claro: Fale uma música que provavelmente ninguém desconfia que você goste?
Stephanie Ferreira: Caramba! Gosto da 'Frevo Mulher' do Zé Ramalho.






Arthur Claro: Para finalizar, diga o que você acha da Rádio Bagaralho e sugira uma música para a nossa audiência.
Stephanie Ferreira: Eu gosto muito da Rádio Bagaralho e sempre sou surpreendida com o resgate de algumas músicas. Quero sugerir 'Lua de Cristal' da Xuxa.





Queridos ouvintes, quero agradecer a todos e espero que continuem ouvindo a Rádio Bagaralho. Vocês também podem ser entrevistados para esse quadro, se manifestarem o desejo! Um bom restante de final de semana repleto de felicidades. Beijos e abraços. J-J






Por: Arthur Claro

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Dom do olhar: 'Intimidade depressiva' por Leomax Lester e Douglas Amorim















Hoje, na parceria da tag jornalista  ≠ idealizada por mim e pelo Arthur Claro, iremos falar sobre o tema Setembro amarelo (já explicado aqui). O Arthur, por meio de sua ótica e foco (veja aqui o que ele bolou), e eu pelos meus. Desse modo, decidi trazer um ensaio fotográfico sobre o tema, um Dom do olhar.

O ensaio em questão chama-se Intimidade depressiva- Traduzindo em imagens doenças mentais, criado em dezembro de 2016 e publicado em janeiro de 2017, do fotógrafo Leomax Lester e do psicólogo Douglas Amorim. Ele tem o objetivo de apresentar doenças psicológicas e emocionais de forma visual, principalmente para quem não tem ideia ou conhecimento do que elas sejam, assim como o psicólogo falou:

“Quis mostrar visualmente essa angústia para quem nunca a sofreu”.






















Leomax é cuiabano, fotógrafo audidata e publicitário em formação. Já Douglas também é cuiabano e psicólogo organizacional. Ambos se uniram nesse projeto. Leia o que Douglas disse:

“Eu sabia que ia acontecer a campanha Janeiro Branco, e queria fazer algum tipo de manifestação. Vi um material que uma moça fez sobre ansiedade e gostei, mas queria algo mais artístico. Por isso, convidei o fotógrafo Leomax Lester, e juntos fizemos o projeto”.


Embora as fotos tenham sido criadas para a campanha Janeiro branco, elas podem ser tranquilamente para o Setembro amarelo

O ensaio rendeu à dupla bastante repercussão e compartilhamento das fotos no Buzzfeed de vários países, como do Brasil, Estados Unidos, Alemanha e Espanha, além da mídia regional. Fico grato por esse reconhecimento, principalmente por ser de um trabalho de brasileiros. 



O ensaio


O ensaio foi composto por dez fotos que traduzem diversas manifestações emocionais e psicológicas, como a depressão, suicídio, síndrome do pânico, embotamento afetivo ou emocional, transtorno de ansiedade, etc. 

O objetivo foi criar empatia e trazer informação sobre doenças mentais que podem levar ao suicídio, através de um viés artístico, fotográfico e, principalmente, teatral, já que Douglas Amorim também teve aulas de teatro e expressão corporal. Inclusive é ele o modelo das fotos, o que gerou polêmica e crítica (falarei em outro tópico!). Veja o que o psicólogo falou sobre o trabalho:

“Quis fazer as pessoas que sofrem se sentirem traduzidas e impelidas a buscar ajuda. Meu objetivo primeiramente era a psicoeducação, ou seja, ensinar as pessoas a procurar ajuda profissional tanto para tratamento quanto para prevenção de patologias. Além disso, eu queria acolher quem se sentia daquela maneira e, principalmente, mostrar para as outras pessoas, que nunca tiveram depressão, por exemplo, como os que têm se sentem. Criar um sentimento empático”.



Irei mostrar as fotos desse ensaio e comentá-las agora.


AVISO: Abaixo existem imagens sensíveis sobre suicídio!





Essa foto representa o sentimento de embotamento emocional e afetivo, que é quando a pessoa não tem vontade de fazer nada, muito menos levantar da cama e escovar os dentes. É uma imagem forte que impressiona, né?! 

Visual e estética: Gostei muito do lado sombrio dela e das composições com terra e raízes.





O clique representa a sensação de estar acorrentado, como muitos depressivos e pessoas com problemas emocionais se sentem. Quando alguém dizer que "depressão é frescura", mostre a ela essa imagem para ela compreender melhor a doença. “Quis mostrar visualmente essa angústia para quem nunca a sofreu”, explicou Douglas. 

Visual e estética: Iluminação sensacional! Além disso, parece que a foto está em movimento e que à qualquer momento o modelo será enforcado e cairá.





Esta traduz a sensação de ter virado um objeto e a perda de significado de si próprio. A vontade da pessoa depressiva é de sumir, desaparecer e se clamufar, assim como a foto sugere.

Visual e estética: Locação interessante. Ela traduz um ar bucólico, porém bastante triste.





Uma imagem que representa a sensação de sempre ser perseguido pela doença emocional ou psicológica, não importa onde vá. "Os morcegos representam a doença mental", explicou Douglas. Uma imagem que causa agonia e pânico só de olhar!

Visual e estética: Gostei muito dos recursos empregados na foto (Talvez o Photoshop pra criar os morcegos e a fumaça) porque a deixou com um ar sombrio e aterrorizante. Creio que a foto tenha sido trabalhada também em ambiente digital para ficar incrível.





Uma foto que representou muito bem o transtorno de ansiedade e a pessoa que sofre por antecipação e por conta de algo que ainda não aconteceu. Muitas vezes, elas são reféns do tempo, assim como retratado na foto.

Visual e estética: Adorei a máscara utilizada pelo modelo, assim como os relógios, que parecem estar em movimento e distorcidos.






Essa foto retrata a síndrome do pânico, que é uma sensação física de perigo mortal iminente. “As pessoas não sabem que tem tratamento, entendem como fraqueza. Os números só aumentam e isso não é tratado como caso de saúde pública”, explica o psicólogo. Li dia desses que a síndrome do pânico é o medo de ter medo, e concordo. É uma sensação de estar sufocado e preso.

Visual e estética: Uma foto que me deixou agoniado com esses vários braços e mãos! 






O clique representa fobia social e timidez patológica, ocasionadas pela depressão. Quem encontra-se nessa situação quer manter-se sozinho e acredita que o suicídio é a única saída existente.

Visual e estética: Gostei muito dos tons de preto utilizados na fotografia.






Uma foto que representa a bipolaridade e a instabilidade emocional. O bipolar ora está feliz, ora está triste; ora bem humorado, ora mal. Muitas vezes nem todos compreendem isso.

Visual e estética: A foto demonstra movimento. Também gostei bastante dessas bordas esbranquiçadas.






Está imagem representa alguém prostrado diante das coisas, a ponto de ficar paralisado e estagnado.

Visual e estética: Gostei muito de ser utilizado galhos na composição, assim como ampulhetas. A imagem me lembra bastante as estações do inverno e outono. 






Uma foto que traduz a despersonificação. Douglas a define como "transforma-se em outra pessoa, de forma que qualquer coisa pareça insuportável, intransponível. Quem está em depressão jamais age como agia.

Visual e estética: Adorei o recurso de edição de retirar a cabeça do modelo, assim como a posição em que ele manteve-se na foto. As aranhas e suas teias, bem como as árvores escuras atrás também deram um ar a mais na imagem.


Mais do que informação e alerta, esse é um ensaio artístico que se comunica com o imaginário humano e produz diversas sensações emocionais. Com essas fotos, Lester e Amorim imergiram em um mundo paralelo, mas que tem um pé na realidade, para construir imagens baseadas em dramas humanos existentes. 


A inspiração


Douglas e Leomax se inspiraram esteticamente no trabalho da fotógrafa americana Brooke Shaden. Ela cria imagens surreais e impressionistas com uma câmera e o auxílio do editor de imagens Photoshop.

Quando colocamos o trabalho de Leomax e Douglas ladeado ao de Brooke percebemos muitas semelhanças. Inclusive, abaixo, selecionei algumas imagens da fotógrafa que me lembraram muito o ensaio Intimidade depressiva (Você pode ver o trabalho completo de Brooke aqui). Veja:


























E aí, o que vocês acharam?


Enquanto no trabalho de Brooke percebe-se muito do expressionismo, no de Lester e Amorim vai além, a partir de uma comunicação direta com seu interlocutor.


As críticas


"O que?! Um psicólogo se expor dessa forma? Falar de suicídio, de doenças mentais e emocionais teatral e artisticamente? É inadmissível 'ficar de brincadeira' nas redes sociais ao se falar desse tema!" Os críticos disseram a respeito de Douglas Amorim.

Existe o tabu que psicólogo não pode expor seus sentimentos e doenças, e Douglas fez exatamente isso. Ele, que possui 29 anos, já teve depressão e não contou à ninguém. Resolveu expor isso com esse ensaio e recebeu uma ligação de sua tia, chateada ao vê-lo que ele era o modelo das fotos. Fora muito criticado pela exposição por ser um psicólogo. E psicólogo não sente dor, não sofre e é de ferro né?! Entretanto, antes de tudo psicólogo é humano.

Além disso, provavelmente Douglas Amorim sofreu represálias pelo tom artístico e teatral das fotos. E não pode "ficar de brincadeira" nas redes sociais ao retratar esse tema tão sério, não é mesmo?!

Douglas não só se expôs com esse ensaio (QUE PECADO! UIUIUI!), como com sua conta pessoal no Instagram (clique aqui). Leia seu depoimento (com acréscimos):

“Na verdade eu fui muito criticado por isso, por colegas que me diziam que o psicólogo não podia se expor. Mas foi depois que deixei essa ideia de lado que eu consegui fazer o que eu queria [criar a conta no Instagram com reflexões e textos], porque não existe nada no código de ética que impeça o profissional de ter uma vida online”. 



Que esse trabalho repercuta! 


Criar um ensaio como esse não é "ficar de brincadeira nas redes sociais sobre um assunto tão sério" (Mais detalhes sobre essas aspas na próxima segunda, 18). Não é por que trata-se de um trabalho artístico, estético e teatral que os autores foram desrespeitosos e brincalhões com a depressão e o suicídio. Pelo contrário, eles quiseram alertar, despertar e impactar as pessoas. 

Espero que esse trabalho repercuta ainda mais e que as doenças psicológicas e emocionais não sejam mais vistas como um tabu, já que agora todos as entendem, a partir desse ensaio psicoeducacional. J-J


#vocênãoquermorrer
#desabafe
#setembroamarelo





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